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Não trate o exame, examine o paciente.

Desde o advento da Ressonância Magnética e demais exames de imagem utilizados na prática clínica da Ortopedia, temos vivido uma dicotomia importante: o exame de imagem ajuda ou atrapalha na clínica?

Claro que o exame de imagem é muito importante para a Ortopedia, com certeza veio para salvar vidas, otimizar condutas e maximizar resultados. O grande problema dessa abrangência é que a avaliação clínica, antes soberana, ficou em segundo plano. Quando falamos em coluna vertebral temos um sério problema, não com a imagem em si, mas com a interpretação de seus resultados.

Inúmeros estudos mostram que alterações degenerativas na coluna vertebral são normais com o passar do tempo, como era de se esperar a coluna de um indivíduo de 50 anos tem utilização suficiente para apresentar algumas avarias, isso pode ser considerado normal, certo? Quando esse mesmo paciente sente uma dor forte, logo se pede um exame desse que apontará esses desgastes, logo se atribuirá essa dor ao resultado desse exame de imagem. E aí, todos os sujeitos que tem essa idade tenderão a ter as mesmas alterações, e porque nem todos tem dor?

Vários pesquisadores ao redor do mundo fizeram exames aleatoriamente na população sem dor e encontrou essas mesmas alterações degenerativas na coluna, no quadril, no joelho etc… Logo voltamos ao início, as condutas devem ser pautadas no exame clínico e o próprio nome diz em relação ao exame de imagem como complementar. Existem pesquisas também que mostram que pacientes submetidos a Ressonância Magnética da coluna tiveram maior tempo de recuperação em relação a pacientes que não fizeram o exame, simplesmente pelo fato de verem as alterações do exame.

Já aconteceu inúmeras vezes em que pacientes com um exame de imagem muito ruim se recuperarem muito rapidamente e outros com exame quase normal não ter a recuperação esperada. Existem muitos fatores que influenciam na dor e também no tratamento, por exemplo, a atividade que esse paciente exerce, qual seu peso, como é sua saúde geral, sua alimentação, enfim, existe uma gama de fatores a serem analisados além da imagem.

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